Fatores importantes para a qualidade da silagem

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Teor de umidade da cultura a ser ensilada: o ideal é que a forragem seja ensilada acima de 30% de MS (matéria seca), pois abaixo disto levará para dentro do silo uma quantidade excessiva de água, podendo ocorrer fermentações indesejáveis, com perda de nutrientes importantes.

Um teor considerável para ensilagem está em torno de 35% de MS, pois nesta condição para a cultura do milho, por exemplo, temos a combinação do teor de MS e acúmulo de amido nos grãos que irão contribuir para produção de uma silagem de boa qualidade. Esta informação é obtida a nível de campo com o auxílio de microondas, airfryer, entre outros dispositivos, que nada mais é do que retirar a água da amostra e traduzir esta informação para teores de MS.

No acompanhamento da lavoura, a verificação da linha do leite (1/3 a 2/3) traz indicativos a respeito dos teores de MS da planta e o momento ideal para colheita.

O teor de matéria seca interfere também ao longo do processo de ensilagem. Quando o material é colhido muito seco (alto teor de matéria seca), pode acontecer dificuldade de cortar a forragem em um tamanho de partícula adequado e uniforme, além de afetar o processo de compactação, uma vez que existirá dificuldade de acomodação da forragem dentro do silo em virtude da falta de umidade e dos diferentes tamanhos das partículas.

Tamanho de partícula: tamanhos menores do que 20 mm permitem uma boa acomodação e compactação da massa dentro do silo. Além disto, é preciso cautela no momento do corte, pois a pulverização excessiva de partículas também não é recomendada devido a possíveis distúrbios metabólicos que podem desencadear nos animais, por falta de fibra efetiva, notadamente em propriedades que utilizam a silagem de forma exclusiva ou acompanhada apenas por algum concentrado (ausência de fibra longa na dieta).

Densidade: a densidade da forragem ensilada é uma combinação entre corte (tamanho de partícula) e compactação, resultando em maior quantidade de massa por área. Densidades elevadas são o objetivo, pois elas reduzem os espaços entre as partículas onde o oxigênio pode preenchê-los no momento da vedação.

Atualmente, se fala para silagem de planta inteira, em densidades próximas aos 750 kg MV/m3, e para silagem de grãos, valores de 950 kg MV/m3. Neste sentido, deve-se cuidar o dimensionamento de silos para grãos, pois como a densidade é maior, é conveniente fazer silos mais baixos (comparados a estruturas pré-definidas e utilizadas para ensilar planta inteira), para garantir o desabastecimento (fatia diária) adequado e reduzir perdas, uma vez que a silagem de grãos tem custo e valor agregado elevados em função das suas características, comparado à silagem planta inteira.

Compactação: a compactação efetiva irá proporcionar maior densidade da silagem. O ideal é que o turno de colheita e compactação sejam pelo menos iguais. Porém, é importante entender que são diversos fatores atuando em conjunto: é desejado camadas finas (15 a 20 cm) da massa ensilada para uma boa compactação, além de um peso efetivo sobre a forragem.

Hoje em dia se fala que o peso de compactação tem que ser 40% da massa que chega por hora dentro do silo. Logo, se chegar 10.000 kg por hora de forragem picada, será necessário um peso de 4.000 kg compactando (valores idealizados e que conferem uma compactação adequada). É importante ressaltar que o produtor faça uma programação adequada para a colheita, pois haverá processos acontecendo ao mesmo tempo.

Vedação: a vedação do silo, na maioria dos casos, não é vista com a importância que deveria. Como já falamos antes, o que garante uma boa qualidade fermentativa da massa ensilada é a ausência de oxigênio. Isto é conseguido através de uma boa vedação, que representa de 0,5 a 2% do custo de produção de uma silagem. Porém, as lonas utilizadas costumam ser de polietileno (plástico), que permitem a entrada de oxigênio no interior do silo.

A lona pode ser comparada à pele do corpo humano. Apesar de não visíveis, na lona existem poros que permitem a entrada de ar para o interior do silo. Também encontramos silos vedados com lonas pretas, que chegam a ser 4x mais permeáveis do que uma lona dupla face. Por isto a importância de usar uma lona dupla face e de qualidade. Geralmente, lonas mais caras apresentam maior resistência aos furos ou rasgos e ainda bloqueiam o ar. E é importante que a face branca fique voltada para fora, para reduzir a absorção de calor dentro do silo.

O ar presente dentro do silo durante a fermentação (entrada através da lona, ou mesmo através de buracos feitos por aves e roedores ou má vedação) desencadeia a proliferação de microorganismos indesejáveis, geram perdas de MS dentro do silo (o silo “murcha”) e consomem nutrientes que deveriam ir para o cocho dos animais.

Quando se abre o silo e observa camadas escuras (pretas) próximas à lona e às paredes, ou manchas coloridas (brancas, avermelhadas), estas porções devem ser cuidadosamente descartadas, pois ali pode ter ocorrido proliferação de fungos que poderão produzir substâncias denominadas micotoxinas.

As micotoxinas podem causar diversos problemas nos animais que ingerirem a silagem e, também, algumas são capazes de chegar até o leite que será consumido pelo ser humano.

Retirada da silagem/desabastecimento do silo: após concluído o processo de ensilagem e fermentação, uma nova fase se inicia. E com ela a quebra da vedação, tornando a massa potencialmente instável por não conseguir mais deixar o ambiente do silo livre da presença de ar.

No processo de desabastecimento e manejo adequado do painel do silo, é importante notar que o desabastecimento feito com auxílio de uma pá carregadeira, por exemplo, deve ser feito sempre de cima para baixo, pois a inversão do sentido além de desestruturar a porção mais compactada dentro do silo, também aumenta o influxo de ar, podendo alcançar de 5 a 6 metros de avanço para dentro do silo.

Além disso, é primordial que o desabastecimento diário se dê em toda a face do silo, tomando uma fatia diária que, no caso de silagem de planta inteira, varia de 30 a 40 cm e, em silagem de grãos, no mínimo de 15 cm. Desta forma, irá garantir contínuo desabastecimento e menor propensão a elevadas perdas por deterioração.

Cássia Aparecida Soares Freitas

Supervisora Técnica de Vendas – Sempre Sementes

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