Grão reidratado ou grão úmido?

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Dentre as diversas modalidades de “silagens de milho” temos duas com alto valor agregado dentro da propriedade rural e que assim como uma silagem de planta inteira deve-se cuidar do processo para minimizar perdas. Esse cuidado assegura a silagem de qualidade e eleva a digestibilidade de amido que é um dos benefícios nutricionais de armazenar o grão na forma de silagem.

Muitas vezes no campo, os termos são usados como sinônimos, mas o que de fato precisamos saber é que são processos diferentes. A silagem de grão úmido, seria aquela em que o milho é colhido com um percentual de umidade próximo a 35% de forma a antecipar a retirada dos grãos e liberação da área para plantios subsequentes. Uma das limitações desta prática é conciliar a velocidade de colheita e moagem. Então, outra técnica que vem crescendo principalmente em propriedades leiteiras é o uso da silagem de grãos reidratados.

A silagem de grãos reidratados, como o próprio nome já nos permite inferir, é o ato de adicionar água ao milho moído e, ou laminado a 2 – 2,3 mm, que estará com umidade entre 11-13% (“grão seco”). O processo requer cautela e atenção, pois para garantia de boa fermentação é necessário assegurar uma reidratação e níveis adequados de umidade dos grãos (reidratação intracelular), elevando a umidade para níveis entre 35 e 40%. O processo de adição e homogeneização da água e milho moído devem ser conduzidos com cautela, pois um dos grandes inconvenientes da má homogeneização é a percolação da água dentro do silo, proporcionando boa fermentação na porção inferior do painel do silo (onde terá mais água) e na porção superior, pela falta de umidade, ocorre algumas reações e fermentações indesejáveis, promovendo elevação de temperatura e oxidação o que proporciona uma coloração com tonalidade marrom na silagem, que nada mais é do que a famosa “reação de caramelização ou de Maillard”. Outra possibilidade de ocorrência desta situação, é quando o enchimento do silo se dá em faixas e uma faixa fica com menos umidade (Figura 1), ocasionando perdas por fermentação menos preterida o que pode levar um ambiente propício ao desenvolvimento de microrganismos indesejáveis.

Figura 1: Faixas no silo com indicativo de perdas

Sabemos que quando se trata de silagem de grãos, conseguimos armazenar uma quantidade maior por área de silo quando comparamos com uma silagem de planta inteira. Ou seja, temos uma densidade (kg de silagem/m3) maior para silagens de grãos. E um ponto de atenção para esta situação é que, devemos procurar por silos de tamanhos menores em altura e largura (Figura 2) afim de garantir o desabastecimento por completo de todo o painel do silo com avanço mínimo de 15 cm por dia, minimizando perdas no pós-abertura. Uma dica importante no desabastecimento do silo de grãos, é que a retirada da silagem aconteça com uma leve inclinação para evitar rachaduras e tombamento da massa ensilada (Figura 3).  

Figura 2: Dimensionamento silo                    

Figura 3: Desabastecimento incorreto do silo

Assim como a confecção de qualquer outra silagem, toda cautela deve ser tomada para assegurar um bom processo de ensilagem e fermentação, desde o processo de moagem até a vedação. Vale relembrar que, a melhor digestibilidade de amido e conversão em leite e carne, são alcançadas com um período mínimo de vedação do silo por 60 dias e em alguns estudos apontam o máximo de digestibilidade do amido sendo alcançado a partir de 180 dias. Além disto, por ser a conservação de um alimento com alto valor agregado, é indicado uso de inoculantes específicos!

Quer saber qual a quantidade ideal de água para reidratar o seu milho para silagem e garantir uma boa fermentação? Ou saber qual melhor inoculante usar para silagem de grãos? Entre em contato conosco, estamos preparados para lhe atender! Quer mais? Juntos a gente faz!

Cássia Aparecida Soares Freitas

Doutora em Nutrição Animal da SEMPRE

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